Mexendo um pouco com a Fuji Instax Mini 8

Não é uma resenha! Só umas breves observações… para quem tem uma e quer complicar.

Adquiri uma Fuji Instax Mini 8 para um trabalho recentemente. Foi ótimo ter uma boa razão para voltar ao mundo das fotos instantâneas. Tenho várias câmeras da Polaroid que foram muito usadas e que agora ficam na gaveta por falta de filme, infelizmente.

A Mini 8 é a mais simples e barata das câmeras Instax, então é claro que não se espera um grande grau de controle sobre o funcionamento da câmera. O uso normal da câmera já dá bons resultados, com uma esperada vacilada de exposição da foto eventualmente. Mas dá pra fazer algumas “manobras” para controlar melhor a luz.

A Mini 8 tem um obturador fixo em 1/60s e todas as fotos são feitas nesta velocidade. O filme Instax é ISO800, não existem outras opções. O único controle que se tem de exposição é o diafragma, que tem as seguintes aberturas: f/12.7 – f/16 – f/22 – f/32. Mas ao invés dos números você tem os ícones respectivamente de: casa, nuvem, sol fraco, sol forte. Assim, as aberturas andam um ponto inteiro por vez, tirando o intervalo casa-nuvem que é de 2/3 de ponto.

Retirado do site da Fuji Instax Mini 8

Retirado do site da Fuji Instax Mini 8

A Mini 8 tem mais uma abertura marcada como Hi-Key, que segundo o manual é para dar um visual “lavado retrô”, ou seja, superexposto. É fácil ver porque isso acontece. Olhando de frente para a lente, é visível o buraco do diafragma mudando de tamanho ao passar o anel de ajuste pelas diferentes posições. A posição Hi-Key tem um diafragma maior do que a “casa”, ou f/12.7. Não medi, mas podemos assumir que seja f/11 ou um pouco maior.

A câmera tem um fotômetro embutido, porém ele não está acoplado ao diafragma, ele apenas sugere através de LEDs qual ajuste é o melhor. Cabe ao fotógrafo ajustar qual o diafragma que quer usar. Assim, você pode abrir ou fechar um ponto de acordo com o resultado que quer.

Até aí ótimo, mas ISO800 em F/11 e 1/60 não é claro o suficiente para ambientes internos, daí o flash, que falarei mais pra frente. Desista de fotos de longa exposição a noite, não vai rolar.

O outro extremo de F/32 (o solzinho) em 1/60 também não é escuro o suficiente para uma exposição padrão sob sol direto, seria necessário uma velocidade maior de 1/125 ou 1/250. Minha sugestão, neste segundo caso, é ou fugir do sol direto ou colocar algum “óculos escuro” na frente da lente da câmera. Um óculos escuro (sem grau!) de verdade eu não tentei usar, talvez seja escuro demais mas pode valer um teste 🙂 Eu tenho um pedaço de filtro ND (densidade neutra) de -1 ponto que é usado em iluminação (gelatina) de fotografia ou cinema. Eu colo com uma fita adesiva na frente da lente. É bom fazer uma sombrinha com a mão para o sol não bater no filtro, já que ele não tem nenhuma proteção de “flare”.

A foto de cima foi feita em dia de sol a camera ajustada em "sol forte" (f/32). Está superexposta. A segunda imagem foi feita em seguida e com os mesmos ajustes, mas foi posto um filtro ND-1 na frente da lente. A exposição está melhor.

A foto de cima foi feita em dia de sol a camera ajustada em “sol forte” (f/32). Está superexposta. A segunda imagem foi feita em seguida e com os mesmos ajustes, mas foi posto um filtro ND-1 na frente da lente. A exposição está melhor.

Um pedaço de filtro ND-1 na frente da lente. Um óculos esculo sem grau pode funcionar. Se o óculos for muito escuro, talvez você tenha que abrir o diafragma um pouco.

Um pedaço de filtro ND-1 na frente da lente. Um óculos esculo sem grau pode funcionar. Se o óculos for muito escuro, talvez você tenha que abrir o diafragma um pouco.

Uma outra característica, irritante diga-se de passagem, é que não é possível desligar o disparo do flash embutido – pausa para as vaias – ele bate em toda foto. Então a seguir, alguns jeitos de conviver com ele.

O flash embutido aparentemente tem uma potência variável controlada pelo fotômetro da câmera (não tem ajuste manual). Acredito que a leitura seja do centro da imagem, mas não fiz testes. Porém, a potência mínima dele ainda é um pouco forte para fotos próximas de menos de 1m, e “selfies”. Ou seja, fotos próximas ficam um pouco superexpostas no modo “casa” (f/12.7). As sugestões neste caso são: usar o modo “nuvem” (pode ser vantajoso pois vai dar mais foco) ou usar o filtro ND desta vez na frente do flash (hmmm será que um óculos escuro na frente do flash funciona? Testarei). Lembre-se de tirar o filtro ND da frente do flash para as fotos de maior distância!

um filtro ND-1 na frente do flash para fotos a menos de 1m.

um filtro ND-1 na frente do flash para fotos a menos de 1m.

Hi-Key: limpando rostos desde Cocoon.

Hi-Key: limpando rostos desde Cocoon.

O modo Hi-Key aumentará este efeito de superexposição do flash embutido, e por ter um diafragma maior, irá também suavizar o foco. Por isso, o fabricante diz que é bom para retratos pois “limpa” a cara das pessoas.

Com as características da Mini 8 dificilmente um ambiente interno aparece bem exposto como fundo da imagem. É uma boa, em lugares escuros, fotografar as pessoas com alguma parede próxima atrás.

Se você acha que há luz suficiente no local para se fazer uma foto sem flash, é possível cobrí-lo com uma fita isolante. Porém, ele vai continuar disparando e em força total. Assim, a pilha vai ser consumida mais rapidamente e é possível que o flash esquente a ponto de derreter a fita se for usado em sequencia. Ele pode se danificar também, sei lá. Faça isso por sua conta e risco.

Agora, se quiser realmente complicar, dá pra se usar um segundo flash externo! Testei em algumas imagens com um flash Nikon SB800 e um SB900 e dá super certo. É preciso que o flash externo tenha uma foto-célula. No caso dos Nikon, é preciso colocá-los no modo SU-4. Se for para iluminar o fundo, provavelmente você terá que ajustá-los para algo entre carga inteira e 1/4 de carga. Teste!

Bom, é isso.

Abraços,

Roger Sassaki

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